Porque a gaveta de tranqueiras nunca fica em ordem (e como fazer as pazes com ela)
Sabe aquela gaveta onde vai parar de tudo um pouco? Em vez de lutar para mantê-la perfeita, descubra como organizar esse cantinho de um jeito simples e realista, criar um lugar para cada coisa e fazer as pazes com a bagunça do dia a dia.
DECORAÇÃO E ACONCHEGO
9/29/20267 min read


Já aconteceu de você passar uma tarde inteira arrumando essa gaveta, ficar orgulhosa do resultado, e em duas semanas estar tudo igualzinho? Se sim, eu preciso te contar uma coisa logo de cara: isso é muito, muito comum. E não diz nada sobre você.
Ema divisória. Só uma. O resto vem depois.
Você sabe exatamente de qual gaveta eu estou falando, não sabe?
Aquela que fica meio emperrada. Que você abre com cuidado, porque nunca se sabe o que vai escapar lá de dentro. Onde moram, todos juntos e misturados, pilhas soltas, fita adesiva, chaves que ninguém sabe de qual porta são, elástico de cabelo, carregador de um celular que já nem existe, um parafuso sozinho, um cartão de visita de 2019 e aquela caneta que você jura que ainda funciona.
Eu já ouvi tanta gente falar dessa gaveta com um jeito meio envergonhado, como se ela fosse uma prova de que a pessoa não sabe se organizar. "Minha casa até que é arrumada, mas tem aquela gaveta..." E dá um risinho sem graça. Como se todo mundo não tivesse a sua.


Então vamos começar tirando esse peso? Você não é desorganizada. A gaveta de tranqueiras é o lugar da casa onde ficam as coisas que não têm lugar, e toda casa precisa de um lugar pra isso. O problema não é ela existir. O problema é que a gente espera que ela se comporte como as outras gavetas, e ela nunca foi feita pra isso.
Você não é desorganizada!


Quando a gaveta vira um retrato da rotina
Tudo cai no mesmo lugar, tudo se mistura, e ninguém consegue manter aquilo em ordem mesmo querendo.
E tem uma segunda razão que quase ninguém percebe. Essa gaveta é usada por todo mundo da casa. Cada pessoa mexe nela do seu jeito, na correria, e ninguém combinou com ninguém o que vai onde. Então mesmo que uma única pessoa se esforce, a gaveta acaba refletindo a vida da casa inteira, que é corrida e cheia de gente. Ela é um retrato da rotina. E rotina, a gente sabe, raramente é arrumadinha.


Um pouco de ordem dentro da bagunça
Porque fazer as pazes com a gaveta de tranqueiras é aceitar duas coisas ao mesmo tempo. A primeira: ela sempre vai ter um pouco de bagunça, porque é o lugar do "não sei onde guardar". A segunda: dá pra fazer essa bagunça ter um pouquinho de ordem, o suficiente pra ela parar de te atrapalhar.
E a ordem que funciona pra essa gaveta não é a que parece de revista. É a de dar um cantinho pra cada tipo de coisa, pra que a bagunça, quando vier, fique dentro de limites. Como um pequeno bairro, com ruas e quarteirões, em vez de tudo jogado no mesmo terreno.
Quando a gaveta volta a ficar igual
Eu penso na Marlene. Ela é uma personagem inventada, mas talvez você conheça alguém parecida, ou seja você mesma. Marlene mora com o marido e dois filhos, e certo sábado decidiu de uma vez por todas dar um jeito na gaveta da sala. Tirou tudo, espalhou na mesa, separou em montinhos, jogou fora o que estava quebrado, guardou de volta. Ficou lindo. Ela até tirou foto.
Na quarta-feira seguinte, o filho mais novo procurava fita durex e revirou tudo. O marido colocou uma chave qualquer lá dentro, no meio. A filha largou um carregador, um elástico, um chaveiro. E de repente, sem que ninguém tivesse feito nada de errado, a gaveta estava de volta ao estado anterior.
Marlene ficou chateada consigo mesma. Achou que tinha falhado. Mas o que aconteceu ali foi bem mais simples: uma gaveta sem divisões é um convite pra bagunça.


Deixe espaço para a vida acontecer
Depois que tudo estiver no lugar, uma dica pequena: deixa um cantinho livre, de propósito, para as coisas que ainda vão chegar. Se a gaveta ficar cheia até a borda logo no primeiro dia, a próxima chave ou o próximo carregador vai ser jogado por cima de tudo, e a arrumação começa a desandar. Um espaço vazio ali dentro é um convite pra que a ordem continue, e não um desperdício.
Outra coisa que ajuda é combinar com a casa. Nada de reunião formal. Só uma frase, na hora do jantar: "gente, a gaveta agora tem lugar pra cada coisa, olha lá". Quando todo mundo sabe onde as coisas ficam, o risco de a bagunça voltar diminui. Não desaparece, claro. Mas diminui.
E se, mesmo assim, daqui a um mês ela estiver meio bagunçada de novo, tudo bem. Faz parte. Você não falhou, e nem a gaveta. É só a vida acontecendo dentro da sua casa. Dois minutinhos de ajuste, de vez em quando, resolvem muito mais do que uma faxina gigante a cada seis meses.
Isso me faz pensar numa pergunta: será que a gente precisa mesmo que ela fique impecável? Ou será que precisa só que ela funcione? Que você abra e encontre a fita na primeira tentativa, sem virar tudo do avesso, sem xingar baixinho?
Antes de comprar, olhe o que você já tem
Mas mesmo sem comprar nada, dá pra começar. Um jeito simples é usar o que você já tem: tampas de potes, caixinhas de sapato pequenas, embalagens que iam pro lixo. Elas fazem o mesmo papel de dividir o espaço, e não custam nada.
Mas mesmo sem comprar nada, dá pra começar. Um jeito simples é usar o que você já tem: tampas de potes, caixinhas de sapato pequenas, embalagens que iam pro lixo. Elas fazem o mesmo papel de dividir o espaço, e não custam nada.


É aqui que um organizador com divisórias ajuda muito. Não porque ele seja mágico, mas porque cria as "ruas" que faltavam. Eu encontrei uns organizadores de gaveta modulares, daqueles que você encaixa e ajusta no tamanho da sua gaveta, e achei que podiam facilitar bastante, principalmente pra quem, como a Marlene, já tentou arrumar várias vezes e sentiu que a arrumação não durava. Se faz sentido para você pode dar uma olhada.


Se ficarem muitas coisinhas pequenas, tipo parafusos, elásticos, clipes, botões, vale ter potinhos pequenos pra juntar cada tipo. Assim você não precisa garimpar um item no meio de vinte. Também tem uns potinhos organizadores com tampa, empilháveis, que ajudam bastante nesse caso, e que eu deixo aqui se fizer sentido pra você:




O método dos três montinhos
Antes de dividir, vale fazer uma coisa bem curta: tirar tudo de dentro e olhar. Não precisa ser uma faxina. Só um olhar honesto pro que existe ali. Separa em três montinhos: o que você usa de verdade, o que é de outra pessoa da casa, e o que já não serve pra nada. O terceiro montinho vai direto pro lixo, sem drama. O segundo volta pra quem é dono. E o primeiro é o que merece o seu espaço.
Sei que o segundo montinho e o terceiro às vezes dão um nó no coração. "E se eu precisar disso um dia?" É uma dúvida honesta, e quase todo mundo tem. A gente guarda porque tem medo de faltar, ou porque a coisa lembra alguém, ou porque parece desperdício jogar fora. Se você não estiver pronta, não jogue. Coloca numa caixinha separada, com data, e dá uma olhada daqui a alguns meses. Muitas vezes a resposta vem sozinha, sem esforço nenhum, e sem culpa.
Porque no funda ela guarda a vida da casa
Porque no fundo, essa gaveta guarda muito mais do que objetos soltos. Ela guarda a chave do portão que o filho quase perdeu, a fita que embrulhou o presente de aniversário, a pilha que fez o controle voltar a funcionar. Pequenas coisas que fazem uma casa funcionar, e que só existem porque tem gente morando ali, vivendo, resolvendo.
Então talvez o convite seja este: em vez de brigar com a gaveta, tenta fazer um trato com ela. Você dá um pouco de ordem, e ela continua sendo o cantinho onde a vida cabe do jeito que ela é.
Começa por uma divisória. Só uma. O resto vem depois.


Será que a gente precisa mesmo que ela fique impecável?








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